Mal de altitude em Cusco: como prevenir, reconhecer e se recuperar.

O mal da altitude afeta uma parcela significativa dos visitantes de Cusco. Este guia explica exatamente o que o causa, como reconhecer os sintomas, o que realmente funciona para prevenção e recuperação e quando procurar ajuda médica.

Cusco está situada a 3.400 metros acima do nível do mar. Lima, onde a maioria dos viajantes internacionais que chegam ao Peru desembarcam primeiro, está ao nível do mar. O voo entre as duas cidades dura aproximadamente uma hora e vinte minutos. Nesse tempo, o corpo passa de um ambiente com concentração padrão de oxigênio para um onde a quantidade de oxigênio disponível por respiração é cerca de 30% menor do que a habitual. Os sistemas cardiovascular, respiratório e sanguíneo precisam se adaptar a essa mudança, e essa adaptação leva dias, não horas.

O mal da altitude, conhecido medicamente como Mal Agudo da Montanha (MAM) e localmente como soroche, é a resposta do corpo a essa rápida mudança na disponibilidade de oxigênio. Não é sinal de falta de preparo físico, fraqueza ou falta de preparo. É uma resposta fisiológica que afeta atletas e viajantes sedentários na mesma medida e que não tem correlação confiável com a condição física ao nível do mar. Algumas das pessoas mais em forma que você encontrará no saguão de um hotel em Cusco serão as que terão as piores dores de cabeça no primeiro dia. Algumas das menos em forma se sentirão perfeitamente bem.

Compreender as causas do mal de altitude, como reconhecê-lo antes que se agrave, o que realmente ajuda e o que não ajuda é um conhecimento prático essencial para qualquer viajante que planeje visitar Cusco. Este guia aborda tudo isso.

 

O QUE CAUSA O MAL DA ALTITUDE

Em grandes altitudes, o ar contém a mesma porcentagem de oxigênio que ao nível do mar, aproximadamente 21%. O que muda é a pressão atmosférica, que diminui com o aumento da altitude. Pressão mais baixa significa menos moléculas de oxigênio por respiração, o que significa que menos oxigênio chega à corrente sanguínea a cada ciclo respiratório.

O corpo responde a esse déficit de oxigênio por meio de uma série de adaptações fisiológicas. A frequência respiratória aumenta. A frequência cardíaca aumenta. A produção de glóbulos vermelhos acelera para transportar mais oxigênio por unidade de sangue. A função renal se ajusta para manter o equilíbrio da química sanguínea. Essas adaptações, em conjunto, constituem a aclimatação e são eficazes, mas levam tempo. O processo de aclimatação significativa leva de dois a quatro dias em uma determinada altitude, e quanto mais rápido o viajante ascende a essa altitude, mais pronunciados tendem a ser os sintomas iniciais.

Quando a taxa de ascensão é mais rápida do que o corpo consegue se adaptar, o que essencialmente acontece quando se voa de Lima para Cusco em noventa minutos, o déficit de oxigênio produz sintomas que variam de um leve desconforto a uma emergência médica. Os sintomas são causados por uma combinação da redução da oxigenação cerebral e das alterações na retenção de líquidos que a altitude elevada provoca no cérebro e em outros tecidos.

 

RECONHECENDO OS SINTOMAS

O mal da altitude existe em um espectro que varia de leve a potencialmente fatal, e a habilidade mais importante para qualquer viajante em grandes altitudes é saber em que ponto desse espectro ele se encontra e quando agir.

AMS leve — A resposta normal

A maioria dos visitantes de Cusco apresenta sintomas leves de mal de altitude nas primeiras 24 a 48 horas. Os sintomas incluem dor de cabeça, fadiga, perda de apetite, náusea leve, tontura ao levantar e sono interrompido com despertares frequentes e sonhos vívidos. Esses sintomas geralmente atingem o pico nas primeiras 12 a 24 horas após a chegada e melhoram gradualmente à medida que a aclimatação progride.

A AMS leve é desconfortável, mas não perigosa. Não requer atenção médica e se resolve espontaneamente com repouso, hidratação e tempo. A melhor resposta é descansar, beber água, comer levemente, evitar álcool e dormir o máximo possível. A maioria dos viajantes com AMS leve sente-se significativamente melhor na manhã do segundo dia em Cusco e consegue retomar as atividades turísticas normais já no segundo dia.

AMS moderado — Leve isso a sério

O mal de altitude moderado vai além do desconforto do mal de altitude leve e indica que o corpo está tendo mais dificuldade para lidar com a altitude. Os sintomas incluem dor de cabeça intensa que não responde a analgésicos comuns, vômitos persistentes em vez de náuseas ocasionais, fadiga acentuada que impede a realização de atividades normais e dificuldade para caminhar com firmeza. Um viajante com mal de altitude moderado não deve continuar subindo para altitudes mais elevadas, deve descansar completamente e monitorar os sintomas cuidadosamente nas próximas horas. Se os sintomas não melhorarem após doze horas de repouso na mesma altitude, descer para uma altitude mais baixa é a conduta correta.

AMS grave — Uma emergência médica

A doença grave da altitude, que pode se desenvolver a partir de um Mal Agudo da Montanha (MAM) moderado se os sinais de alerta forem ignorados, inclui duas condições potencialmente fatais: Edema Pulmonar de Alta Altitude (EPAA) e Edema Cerebral de Alta Altitude (ECAA). O EPAA envolve o acúmulo de líquido nos pulmões e produz sintomas como extrema falta de ar em repouso, tosse persistente que pode produzir escarro rosado ou espumoso, fadiga intensa e cianose (coloração azulada dos lábios ou pontas dos dedos). O ECAA envolve o acúmulo de líquido no cérebro e produz sintomas como dor de cabeça intensa e persistente, perda de coordenação, confusão, alteração do estado mental e, eventualmente, perda de consciência.

Tanto o edema pulmonar de alta altitude (HAPE) quanto o edema cerebral de alta altitude (HACE) são emergências médicas que exigem descida imediata e tratamento médico de emergência. Não são comuns em Cusco devido à sua altitude em relação a ambientes de montanha mais elevados, mas podem ocorrer e qualquer viajante que apresente os sintomas descritos acima precisa de evacuação imediata para uma altitude mais baixa e atendimento médico. Cusco possui diversas clínicas com experiência em mal de altitude e oxigênio suplementar está amplamente disponível, mas casos graves exigem descida rápida como tratamento definitivo.

 

O QUE REALMENTE AJUDA

Tempo de aclimatação

A única coisa que resolve definitivamente o mal da altitude é o tempo em altitude. Todas as outras intervenções visam controlar os sintomas enquanto a aclimatação ocorre. Para a maioria dos viajantes que visitam Cusco, dois dias completos de atividades leves e descanso adequado são suficientes para que o corpo se adapte a ponto de permitir passeios turísticos normais e atividades físicas leves. Três dias são consideravelmente melhores e fortemente recomendados antes de tentar qualquer excursão fisicamente exigente, incluindo a Montanha Arco-Íris.

Hidratação

A desidratação agrava significativamente os sintomas do mal de altitude. Em grandes altitudes, o corpo perde água mais rapidamente devido ao aumento da frequência respiratória e ao ar mais seco do altiplano, e é comum que os viajantes cheguem a Cusco já levemente desidratados após o voo de Lima. Beber de dois a três litros de água por dia durante sua estadia em Cusco é o mínimo necessário, e os efeitos da hidratação adequada na intensidade da dor de cabeça e no bem-estar geral são perceptíveis poucas horas após o início da ingestão consistente de líquidos.

Evite bebidas com cafeína em excesso no primeiro dia, pois a cafeína tem um leve efeito diurético que pode contribuir para a desidratação. Um café pela manhã não faz mal, mas substituir a ingestão de água por café não é uma boa estratégia em altitudes elevadas.

Mate de coca

O chá de folha de coca é o remédio tradicional andino para o mal da altitude e realmente ajuda, embora o mecanismo seja mais prático do que farmacêutico. As propriedades levemente estimulantes dos alcaloides da coca aumentam ligeiramente a frequência respiratória, o que aumenta modestamente a absorção de oxigênio, e o líquido quente contribui para a hidratação. O efeito é de apoio, e não de cura, mas é real, e o ritual de beber uma xícara de mate de coca quente ao chegar em Cusco tem um efeito psicológico calmante, além de um leve efeito fisiológico.

As folhas de coca são legais em todo o Peru e Bolívia. Elas não são cocaína e não produzem nenhum efeito psicoativo nas quantidades consumidas em forma de chá ou quando mastigadas da maneira tradicional. No entanto, viajantes que estão sujeitos a testes de drogas em seus países de origem devem estar cientes de que o consumo de folhas de coca pode resultar em um exame de urina positivo para metabólitos de cocaína por até vários dias após o consumo.

Pílulas Sorojchi

Os comprimidos Sorojchi são um medicamento de venda livre disponível em praticamente todas as farmácias de Cusco, formulado especificamente para o mal da altitude. Os ingredientes ativos incluem aspirina para o alívio da dor de cabeça e cafeína para uma leve estimulação da frequência respiratória. Eles não curam o mal da altitude, mas aliviam eficazmente os sintomas da dor de cabeça e são amplamente utilizados tanto por moradores locais quanto por turistas. Tome-os ao primeiro sinal de dor de cabeça, em vez de esperar que a dor se intensifique.

Acetazolamida (Diamox)

A acetazolamida, vendida sob a marca Diamox, é um medicamento de prescrição que acelera a aclimatação ao estimular o aumento da frequência respiratória nos rins, resultando em maior absorção de oxigênio por unidade de tempo. É a intervenção farmacológica com maior embasamento científico para a prevenção do mal da altitude e é amplamente prescrita por clínicas de medicina de viagens para viajantes que planejam ascensões rápidas a grandes altitudes.

A dose profilática padrão é de 125 a 250 miligramas, duas vezes ao dia, iniciada um ou dois dias antes da subida e continuada durante os dois primeiros dias em altitude. Os efeitos colaterais incluem aumento da frequência urinária, formigamento nas mãos e nos pés e, ocasionalmente, visão turva. Não deve ser administrado a viajantes alérgicos a antibióticos sulfonamídicos.

Se você planeja visitar Cusco e está preocupado com o mal da altitude, especialmente se já teve casos significativos ou se seu roteiro exige esforço físico nos primeiros dias após a chegada, é recomendável conversar com seu médico ou com uma clínica de medicina de viagens antes de partir.

Oxigênio suplementar

O oxigênio suplementar está disponível em muitos hotéis em Cusco e em alguns restaurantes e atrações da cidade. Ele proporciona alívio temporário de dores de cabeça e falta de ar, mas não acelera a aclimatação. Usá-lo brevemente para controlar sintomas agudos é razoável, mas depender dele como substituto para permitir que o corpo se aclimate naturalmente não é eficaz, pois os benefícios desaparecem imediatamente quando o oxigênio é removido. A maioria dos hotéis em Cusco mantém pequenos cilindros de oxigênio disponíveis para os hóspedes mediante solicitação.

 

O QUE NÃO AJUDA

Álcool

O álcool agrava o mal da altitude, causando desidratação, prejudicando a qualidade do sono e suprimindo o estímulo respiratório que o corpo utiliza para compensar a menor disponibilidade de oxigênio. O efeito do álcool em altitude também é significativamente mais pronunciado do que ao nível do mar, o que significa que uma ou duas doses produzem a mesma embriaguez e os efeitos no dia seguinte que três ou quatro doses ao nível do mar. Evitar completamente o álcool na primeira noite em Cusco e beber com muita moderação, ou mesmo não beber, na segunda noite é a mudança comportamental mais eficaz que a maioria dos viajantes pode adotar.

Exercício intenso no primeiro dia.

O esforço físico aumenta a demanda de oxigênio em um corpo que já está lutando para suprir suas necessidades básicas em altitude. Tentar visitar sítios arqueológicos nas encostas, fazer uma trilha ou qualquer atividade física prolongada no primeiro dia em Cusco invariavelmente piora os sintomas e estende o período de aclimatação. Descansar no primeiro dia não é tempo perdido. É a coisa mais produtiva que você pode fazer para a qualidade dos dias seguintes.

Subir mais alto antes de se aclimatar

O princípio da medicina de altitude é subir e dormir em altitudes mais baixas durante a aclimatação. Viajar para um destino de altitude mais elevada, como a Montanha Arco-Íris, a 5.100 metros, antes de se aclimatar a Cusco, a 3.400 metros, aumenta significativamente tanto o risco quanto a gravidade do mal de altitude. Reserve pelo menos dois dias inteiros em Cusco antes de tentar qualquer excursão que atinja altitudes acima de 4.000 metros.

 

ALTITUDE EM MACHU PICCHU COMPARADA À DE CUSCO

Uma das informações mais úteis para viajantes que se preocupam com a altitude em Cusco é que Machu Picchu fica a aproximadamente 2.400 metros de altitude, cerca de mil metros abaixo de Cusco. A viagem de trem de Ollantaytambo a Aguas Calientes desce pelo Vale Sagrado e adentra a floresta nublada, e a maioria dos viajantes percebe uma melhora significativa em como se sentem à medida que a altitude diminui durante o trajeto.

Isso significa que, se você teve dificuldades com os efeitos da altitude em Cusco, o dia em Machu Picchu geralmente é mais fácil, e não mais difícil, do que os dias anteriores na cidade. A ansiedade comum entre os viajantes afetados pela altitude, de que Machu Picchu será o pior dia, é quase sempre infundada. A cidadela está a uma altitude administrável para quase todos os visitantes que passaram dois ou mais dias se aclimatando em Cusco, e as exigências físicas dos circuitos padrão são perfeitamente alcançáveis nessa altitude.

Os circuitos de montanha em Machu Picchu são uma história diferente. Huayna Picchu atinge aproximadamente 2.700 metros e a montanha Machu Picchu, aproximadamente 3.800 metros, ambas mais altas que a cidadela, mas ainda abaixo de Cusco. Esses percursos são possíveis para viajantes devidamente aclimatados, mas não são recomendados para aqueles que ainda apresentam sintomas de mal de altitude no dia da visita a Machu Picchu.

 

ALTITUDE E CRIANÇAS

As crianças não são imunes ao mal da altitude e seus sintomas podem ser mais difíceis de detectar, pois elas podem não conseguir expressar com clareza o que estão sentindo. Fique atento a sinais como fadiga incomum, perda de apetite, choro ou irritabilidade além do normal para a criança, relutância em andar ou brincar e palidez ou coloração anormal da pele.

Os mesmos princípios aplicam-se às crianças como aos adultos: tempo e repouso são os remédios fundamentais, a hidratação é importante e o álcool deve, obviamente, ser evitado. A acetazolamida não deve ser administrada a crianças sem orientação médica específica, uma vez que a dosagem e as contraindicações exigem avaliação profissional para pacientes pediátricos.

Machu Picchu é acessível para crianças que se aclimatizaram a Cusco por pelo menos dois dias. Os circuitos padrão na altitude da cidadela são administráveis para a maioria das crianças com saúde razoável. Os circuitos de montanha exigem uma avaliação individual cuidadosa.

 

QUANDO PROCURAR AJUDA MÉDICA

Procure atendimento médico imediatamente se você ou qualquer membro do seu grupo apresentar algum dos seguintes sintomas: falta de ar em repouso que seja intensa ou que piore, tosse com expectoração rosada ou espumosa, perda de coordenação ou incapacidade de andar em linha reta, confusão ou alteração do estado mental, dor de cabeça intensa que não responde a nenhum medicamento, ou qualquer combinação dos sintomas acima.

Cusco possui diversas clínicas com experiência no tratamento do mal da altitude, incluindo a Clínica Pardo e a clínica CIMA, ambas com equipe que fala inglês e equipamentos necessários para lidar com emergências relacionadas à altitude, como oxigênio suplementar e a câmara hiperbárica, que é o tratamento imediato mais eficaz para casos graves.

Não espere para ver se os sintomas graves melhoram por conta própria. O mal da altitude pode piorar rapidamente e o tratamento definitivo, a descida para uma altitude mais baixa, torna-se mais difícil de organizar e mais perigoso de adiar à medida que o quadro se agrava.

 

RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA SUA VISITA A CUSCO

Chegue a Cusco vindo de Lima, em vez de diretamente de um destino de altitude muito elevada, se possível, permitindo uma subida gradual. Passe pelo menos dois dias inteiros em Cusco antes de tentar Machu Picchu ou qualquer excursão fisicamente exigente. Beba de dois a três litros de água por dia durante sua estadia em Cusco. Evite álcool na primeira noite e beba com moderação, se possível, nas noites seguintes. Tome comprimidos de Sorojchi ao primeiro sinal de dor de cabeça, em vez de esperar. Considere conversar com seu médico sobre acetazolamida antes de viajar se você tiver histórico de mal de altitude significativo. Durma o máximo possível durante a primeira noite. Mantenha o ritmo de caminhada e passeios turísticos deliberadamente lento no primeiro dia. Ouça seu corpo e não se sinta pressionado a ignorar sintomas que estejam piorando em vez de melhorando.

 

COMO A INKA TICKETS ESTRUTURA SEU ITINERÁRIO EM CUSCO

Ao elaborarmos um roteiro para Cusco para nossos clientes, sempre estruturamos os três dias com aclimatação no primeiro dia, atividade moderada no segundo e Machu Picchu no terceiro. Essa sequência não é arbitrária; ela se baseia em anos de experiência coordenando visitas para viajantes de todos os níveis de condicionamento físico e nacionalidades, e observando quais abordagens consistentemente proporcionam as melhores experiências na cidadela.

Se você chegar em Cusco já sentindo os efeitos da altitude e quiser conselhos sobre se deve ou não prosseguir com o seu roteiro planejado, entre em contato conosco pelo WhatsApp. Nossa equipe está localizada em Cusco e pode lhe dar orientações honestas e em tempo real, baseadas no que sabemos sobre as condições atuais e na nossa experiência com os viajantes com quem trabalhamos diariamente.